Dicas de Cultura Inútil

Se você tenta ler Nietzsche ou Joyce e não consegue, tenta assistir Godard ou Bergman e dorme no meio, não diferencia Monet de Manet e nem sabe quem foi Emmanuel Kant, PARABÉNS! Você está no blog certo!

09 julho, 2006

Ontem a noite, depois de muitos e muitos anos de calma e tranquilidade, eu e minha esposa resolvemos pegar uma sessão corujão no Shopping Anália Franco. O filme? Carros, a nova animação da Disney/Pixar.

E eu, que normalmente sou renheta e me recuso a assistir a desenhos dublados, topei numa boa ouvir as vozes de Daniel Filho ("Doc" Hudson, Paul Newman no original) e Priscila Fantin (Sally, Bonnie Hunt na versão em inglês). Sei lá, tem momentos na vida em que não vale a pena ser purista, ainda mais porque as animações da Disney costumam ser bem adaptadas para o português.

A primeira coisa que chamou a minha atenção foram os trailers, TODOS de animações em 3-D. Realmente, Hollywood está planejando um massacre em larga escala. Uma vez que eles descobrem um filão, não param até exaurir toda a qualidade e inteligência de um gênero. Basta ver que, a cada novo desenho, as técnicas de animação melhoram, enquanto os roteiros pioram.

A única exceção por enquanto é a Pixar, apesar de Carros ser inferior aos demais desenhos do estúdio. Mesmo assim, o filme acaba agradando aos que procuram diversão sem compromisso. A história não ajuda muito, é o velho esquema do peixe (leia-se carro) fora d'água que acaba mudando a vida de uma pequena cidade, enquanto aprende valiosas lições sobre amizade e respeito aos mais velhos.

Para variar, os detalhes chamam a atenção. Em certos momentos, parece que você está assistindo Velozes e Furiosos, tamanho o cuidado com o visual dos possantes (aliás, aposto que os animadores viram esse filme várias vezes). Contudo, basta ver os olhos (para-brisas) e as bocas (para-choques) para os carros ganharem vida, de uma forma muito mais convincente do que em Carangos & Motocas ("eu te disse, eu te disse, eu te disse...").

Os clichês da Pixar também são um show à parte. O curta "A Banda de um Homem Só" é hilário e muito bem sacado, a participação do ator John Ratzenberger (a mascote da sorte deles) rende ótimas piadas, junto com citações à Toy Story, Vida de Inseto e Monstros S/A. Além disso, temos a clássica cena após os créditos, que tem graça apenas para as mulheres.

Resumindo, se você é fanático por animação e automobilismo, então Carros é o melhor desenho de todos os tempos. Senão, é "só" mais uma obra da Pixar.

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